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Arquiteto e Urbanista, sócio fundador do escritório FAUST arquitetura em 2005, trabalhando no mercado de arquitetura, engenharia e design. Graduado pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC em 2004.Pós-graduado em Espaço celebrativo litúrgico e arte-sacra na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia [FAJE].
Assina a autoria de 113 Igrejas, 22 salões paroquiais, 18 centros de evangelização, 5 sedes de ação social e 8 casas paroquiais, em 13 estados, 72 cidades no Brasil e no México. Além disso participou em outros projetos e obras como consultor. Ministra palestras e Cursos em Arquitetura Sacra. Escreve artigos para a revista Paróquias e Casas Religiosas de São Paulo.


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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

■ PORQUE IGREJAS SÃO PENSADAS COMO GALPÕES?


O concílio ecumênico vaticano II é a constituição da sagrada liturgia, nele contêm diretrizes sobre como organizar espacialmente os templos católicos. Datado de 1961 a 1965 ele nasce (após décadas de maturação) contemporaneamente ao pensamento pós-moderno.
Se analisarmos obras da arquitetura pós-moderna e seus expoentes maiores, veremos que uma minoria delas são templos; e podemos dizer que isso é uma novidade na história da arquitetura. Até antes da revolução industrial todo o saber arquitetônico era materializado nos templos.
Ao longo do século XX ouve uma má interpretação do funcionalismo moderno. Uma verdadeira mutação de importância, fez com que por exemplo o conceito do “fim do adorno”, transforme-se em “ausência de significado”; e o conceito de “limpeza formal” em “ausência total de composição”.
■ Exemplo de igreja com ausência de composição”.
A má interpretação somou-se a má vontade do clero de absorver a arte moderna, assim houve uma demora na aceitação dela como arte sacra. Assim templos de linguagem ou tecnicamente modernos, ilustravam em seus interiores retábulos barrocos e elementos litúrgicos em geral sem unidade artística.
Obra de John Piper | www.johnpiper.org.uk
A construção de templos com técnicas construtivas modernas [concreto e aço], passam a ser mais viáveis economicamente por conta da otimização na estrutura industrial vigente. Estas novas técnicas nortearam o pensamento moderno que desenvolveu uma nova linguagem para arquitetura, por tamanha inovação. A antipatia do clero em relação a arte moderna afastou tanto artistas como arquitetos das obras, empobrecendo muito o legado. Na falta de uma obra iconológica de arquitetura moderna sacra - que servisse de espelho deste novo momento - fez com que em grande número de casos, a arquitetura da “ausência de composição” tomasse esse papel. A construção de templos neo-ecléticos [feitos com técnicas construtivas novas, imitando os materiais antigos] foi outra solução desastrosa adotada nos edifícios.
O Papa Paulo VI escreve na conclusão do concílio vaticano II aos artistas “Hoje como ontem, a Igreja tem necessidade de vós e volta-se para vós. E diz-vos pela nossa voz: não permitais que se rompa uma aliança entre todas fecunda. Não vos recuseis a colocar o vosso talento ao serviço da verdade divina. Não fecheis o vosso espírito ao sopro do Espírito Santo.
O mundo em que vivemos tem necessidade de beleza para não cair no desespero. A beleza, como a verdade, é a que traz alegria ao coração dos homens, é este fruto precioso que resiste ao passar do tempo, que une as gerações e as faz comungar na admiração. E isto por vossas mãos.” (Paulo, 1965) Trinta e quatro anos depois, na carta aos artistas do Papa João Paulo II escreve “A Igreja precisa de arquitetos, porque tem necessidade de espaços onde congregar o povo cristão e celebrar os mistérios da salvação.” (João, 1999).
■ Igreja do convento de São Domingos

Já se passaram décadas do término do concílio vaticano II, a falta de referenciais arquitetônicos é uma das causas da apatia das comunidades em relação ao que almejar no planejamento de um templo católico hoje.
O concílio vaticano II nos da diretrizes litúrgicas sobre como organizar especialmente os templos, porém sabiamente não nos da diretrizes de como a obra arquitetônica deva ser desenhada, fica a cargo dos arquitetos esta definição. E a cargo da comunidade e da Igreja saber cobrar dos arquitetos uma boa arquitetura sacra.

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