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Arquiteto e Urbanista, sócio fundador do escritório FAUST arquitetura em 2005, trabalhando no mercado de arquitetura, engenharia e design. Graduado pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC em 2004.Pós-graduado em Espaço celebrativo litúrgico e arte-sacra na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia [FAJE].
Assina a autoria de 113 Igrejas, 22 salões paroquiais, 18 centros de evangelização, 5 sedes de ação social e 8 casas paroquiais, em 13 estados, 72 cidades no Brasil e no México. Além disso participou em outros projetos e obras como consultor. Ministra palestras e Cursos em Arquitetura Sacra. Escreve artigos para a revista Paróquias e Casas Religiosas de São Paulo.


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segunda-feira, 24 de abril de 2017

■ Viagem à Ravena. Origem da arquitetura bizantina paleocristã.



Ravenna é a capital da província de Ravenna região de Emilia-Romagna, cituada no nordeste da Itália.

O período mais importante de Ravenna começa quando ela se torna a terceira capital do império romano do ocidente em 402. Com o fim do império em 476 o rei da Itália Odoacerus [Odoacro] mantem a capital.

Em 493 após longo conflito o vice-rei Teodorico toma a cidade, nos mais de 30 anos de governo ele constrói parte das grandes obras da cidade.

Em 540 entra em Ravenna o exército bizantino, colocando o fim do reinado dos godos. É neste período sob o domínio de Justiano I que a cidade viveu seu esplendor, o grande legado artístico e arquitetônico que hoje apreciamos descendem desta época.

Com o fim do império romano a cidade entra em declínio e ao longo dos anos é abandonada, o livro História de Ravenna vendido na cidade diz "Até a primeira metade do século XIX Ravenna segue sendo uma das províncias mais deprimidas e esquecidas da Itália setentrional."



Interessante é entender que o declínio de Ravenna foi importante para a preservação pois ao contrário de cidades prósperas como Roma ou Milão seus patrimônios bizantinos paleocristãos não foram convertidos em barrocos nos séculos XVII e XVII.

Ravenna é patrimônio cultural da humanidade segundo a UNESCO.

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Após está breve introdução histórica vamos algumas curiosidades da viagem.

Itália é um dos países que mais trás visitantes para suas terras; para cidades famosas como Roma, Veneza, Milão, Florença, etc... Ravenna neste cenário é tida como uma cidade pouco turística. Vemos indícios disso no fato de não haver trem de alta velocidade para lá, a cidade mais próxima é Bologna.




Eu sai de Firenze [Florença] para Bologna e lá segui a Ravena. As diferenças nos usuários do trem ficaram claras, quando embarquei para Ravenna o idioma italiano ficou mais presente, ficando nítido que se tratava de passageiros regulares que para um turista é muito interessante, pois o turismo massivo de cidades como Roma e Firenze dificulta um pouco uma apreciação mais imersiva.


A grande importância de Ravenna na arte e arquitetura sacra está na preservação da arquitetura paleocristã também chamada de bizantina, sendo considerada o início da arquitetura Românica.



 Basilica di San Vitale 
Os mosaicos da Basílica são referencia para arte sacra e em especial bizantina. Sua construção é contemporânea a Basílica Santa Sophia em Constantinopla [Istambul] - na época capital do império bizantino - e ambas são construídas com planta radial com cúpula central, uma variação das basílicas retangulares.














  







 Museu Nacional de Ravenna 
Nas antigas instalações do mosteiro beneditino de São Vital está o museu nacional de Ravena, formado de 3 claustros. Seu acervo é composto desde arte helênica












 Mausoléu de Galla Placidia 
No mesmo terreno da Basílica está o mausoléu de imperatriz Galla Placídia.








  Basilica Sant Apollinare In Classe
Próximo a Ravena está a cidade de Classe, lá está localizada uma das obras mais importantes da arte e arquitetura paleocristã, a Basílica de São Apolinário.














Túmulo de San Apollinari


 Chiesa Santa Maria Maggiore.
Faz parte do conjunto arquitetônico da Basilica di San Vitale.





 Chiesa San Giovanni Evangelista 



 





 Battistero degli Ariani






 Battistero Neoniano






 Piazza e monumento a Anita Garibaldi
Minha família é oriunda e a maior parte vive no sul do estado de Santa Catarina, na região a cidade de maior valor histórico é Laguna ao qual sua ilustre filha é Anita Garibaldi - heroína de dois mundos. Caminhando por Ravenna descubro que assim como Dante Alighieri ela morreu aqui, e encontro uma Piazza Anita Garibaldi e o monumento a Heroína de dois mundos em frente ao Liceo Clássico Dante Alighieri.




  Basilica Sant Francesco e a Tumba de Dante Alighieri 
O escritor da Divina Comédia viveu seus últimos 3 anos em Ravena, a convite do príncipe Guido Novello da Polenta.



Via Guido Novello da Polenta.

Basilica Sant Francesco



 Mausoleo di Teodorico
Um pouco afastado do centro histórico da cidade o mausóleo fica próximo ao parque Rocca Brancaleone.



  

Rocca Brancaleone



 Cattedrale della Risurrezione di Nostro Signore Gesù Cristo
A catedral é um exemplo de Igreja que foi reformada e "atualizada" ao estilo de outros tempos, como o barroco.










Não fotografei tantas outras belas obras que visitei como a Igreja de São Apolinário Novo; museu arcebispal, etc...

Para quem quiser conhecer a origem da arte cristã, vá a Ravena.
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Bônus:
Aconselho a Piadina de Sququerone [tipo de mussarela da região] com prosciutto do restaurante La Piadina del Melarancio.



Arq Eduardo Faust

Na bibliografia usei além do E.H Gombrish:
The Pelican History of Art [Early Christian and byzantine arch] do Richard Krautheimer.
Ravena Ciudad de Arte Edizioni Salbaroli.